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De quase tudo que importa, não se sabe falar
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Elevadores

Há algum tempo venho refletindo sobre os elevadores. Por mais que pareçam apenas ferramentas, máquinas criadas para facilitar nossa vida, na verdade são muito mais do que isso. Explico: sempre morei em apartamentos. O uso da máquina em questão sempre foi fundamental na minha vida de pessoa sedentária que não gosta de subir nem descer escadas - e acho que pra maior parte das pessoas, também é assim. Entretanto, existem, no geral, o elevador de serviço e o elevador social - e aí mora minha reflexão.

De acordo com as normas que não estão escritas em lugar nenhum, mas que todos devem cumprir para não receberem reclamações que ninguém expressa com palavras, os moradores, com exceção de estarem chegando da praia (o que não é o caso de Brasília), do clube ou de estarem com animais, devem utilizar o elevador social.

O elevador de serviço, também de acordo com as normas que não estão escritas em lugar nenhum mas que ai de você se não as cumprir, costuma ser dedicado para os chamados empregados, funcionários, empregadas, porteiros e etc.

É interessante perceber como as pessoas - moradores-, no seu dia-a-dia, não usam o elevador de serviço, por mais que entrem e saiam pela porta dos fundos em casa, por exemplo.

Para aguçar minha atenção a este tema 'elevadores', hoje aconteceu um fato interessantíssimo, que me fez parar pra pensar, e muito, em como está a nossa situação social - em todas as possibilidades desta palavra.

Estava eu - que sempre ando no elevador de serviço, independentemente de qualquer coisa -, quando, de repente, a máquina pára num andar do meio do caminho entre meu apartamento e a garagem. Entram dois homens, que pelo uniforme que usavam, trabalhavam em alguma empresa. Eu falei 'Boa tarde!' com um sorriso, e vi que eles ficaram muito constrangidos. Estavam falando, conversando bastante sobre alguma coisa e, quando a porta do elevador abriu e eles me viram, pararam imediatamente.

Estranhei, mas não pensei muito sobre o fato, preocupada que estava com a tarde de trabalho que vinha pela frente. No entanto, na hora que o elevador chegou no térreo, local de parada dos dois homens, falei 'Tchau!', e um deles saiu, de cabeça baixa, e o outro olhou rapidamente para mim e disse, em um tom de voz baixo: 'Tchau! E desculpe...'.

Eu fiquei completamente besta na hora. Mas besta mesmo, sem saber o que responder, como reagir, o que pensar. Desculpe??? Pelo quê?? Por ter cruzado comigo no elevador? Por ter me dado boa tarde? Por ter invadido meu 'espaço de moradora', mesmo estando fora do 'elevador dos moradores', de acordo com as regras que não escritas em lugar nenhum??

Fui até o carro pensativa, melancólica. O pedido de desculpas do homem me deixou boba, e, um tempo depois, fiquei com raiva de mim por não ter segurado a porta do elevador e dito: "Moço!! Você não tem que pedir desculpas por nada!! Imagina!! Isto é um absurdo! Você é um ser humano igualzinho a mim, tem o mesmo direito de ir e vir que eu tenho. E, ainda por cima, está trabalhando!! Você pode, inclusive e principalmente, andar no elevador da frente, sem ter de pedir desculpas pra ninguém! Ah! E não se preocupe com as regras que não estão escritas: elas são muito imbecis!"

Falando sério mesmo: tá na hora de repensar essas coisas. Sociedade... Pode uma coisa dessas?


February 20, 2006 | 5:56 PM Comments  0 comments

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Reflection

I read it somewhere. It´s pretty nice.
I wanted to share...


"If I am not for myself
who will be for me?
If I am only for myself,
what am I?
And if not now, when?"


February 2, 2006 | 2:15 PM Comments  3 comments

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